sábado, 28 de outubro de 2017

Para Ti...

Lembrei-me agora
De te ligar
Para te dizer
que não estou bem.
A mão no telefone
Mas vem-me à ideia
Que não estás do outro lado
Que não estás em casa...
Nunca me fez tanta falta
Ouvir a tua voz
Nunca me senti tão só,
Tão vazia
No entanto estás ai,
pertinho, pertinho de mim
Podes falar comigo,
Amanhã...
Não agora quando eu quero
Amanhã...
Não agora quando eu preciso
Amanhã...
Não agora quando o meu egoísmo te quer
Amanhã,
Quando tu quiseres....
Eu posso estar ao teu lado
Mas tu podes não falar comigo!
Amanhã...
Quando eu for ter contigo
Vou sorrir
Brincar como nunca brinquei
Falar como nunca falei.
Porque hoje
Sei que Amanhã
Pode ser tarde
E tenho que te Amar
Hoje e só Hoje...

Setembro 2017
Celeste Santos Pinto

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Em dia de chuva

A cidade acordou com um nevoeiro cerrado, não mostrando a cidade aos nossos olhos.
Não se vê nada à nossa frente.
Se estiver lá em cima no Miradouro, o nevoeiro confunde-se com o mar. Mas é só nevoeiro.
É só um dia triste, feio.
Chove uma chuva miudinha que nos encharca até aos ossos.
Lembro dias assim, junto á lareira com o lume no chão acesso que nos aquece e protege do frio que está lá fora. Com a cana empurro as brasas que se espalham.
Uma panela de barro cheia de água a ferver para fazer o café de um lado. Do outro, em cima duma trempe outra panela de barro já ferve com o feijão com couve para o nosso almoço.
Começaram a chegar os homens, andavam a tratar dos animais, pois esses não querem saber se chove ou não.
Já com todos sentados à mesa, soltam-se gargalhadas, a alegria espalha-se.
Depois do almoço, o meu pai não dispensa a sua caneca de café feita na tal cafeiteira de barro, acompanhada com uma boa fatia de pão e queijo. Fica feliz com este mimo que a minha mãe lhe prepara todos os dias.
Quero sair, saltar, de pedra em pedra. Ir ao ribeiro, tentar saltar para o outro lado.
Mas a chuva continua a cair, chegam as castanhas para assar, os tortulhos que os homens apanharam durante a manhã. Aqueles grandes cheios de “saias” vão directamente para as brasas para assarem.
Alguém grita:
- Há tortulhos de molho, todos para a mesa. Alguém quer provar o vinho novo?
O vinho feito pelo meu avô, para ser provado com os primeiros tortulhos da época.
O nevoeiro de hoje que escondeu a minha cidade trouxe-me recordações, a minha infância.

Tempos lindos, que não voltam....

Celeste Santos Pinto

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Sorri a vida

A vida sorri
Sorri a vida
Todos os dias!!!
Todos os dias,
Sorri a vida.
Com cores e alegria
O dia sorri
Eu sorrio
Tu sorris
Com alegria e cor
Todos os dias
A vida sorri
O sol brilha
Trazendo calor
E ternura
E mesmo debaixo
Das nuvens cinzentas
A vida sorri
Porque sorrindo
O caminho torna-se mais fácil
Menos torturoso
E todas as pedras
Que encontro
Tornam-se mais pequenas
Facilitando a minha passagem
Nesta vida
Que sorri.


Celeste Santos Pinto

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Hoje



Hoje não choro,
Só sinto saudades,
De outros tempos
Outras vontades
Tempos felizes
Que um dia vivi
Tempos felizes
Que por não saber
Que era feliz
Chorei
Hoje não choro
Sorrio para Mim
Porque aprendi
Amar,
Amar alguém que nunca quis


Celeste Santos Pinto

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Nostalgia

Estou só
Nostalgia que me invade
O quer voltar a ter
a juventude que já foi
a alegria no meu olhar
a alegria do futuro.
Estou só no meio
Da nostalgia que me invade
Por ter visto partir
tanta gente.
Estou só.
A nostalgia me invade
Com as lágrimas
que caiem no meu colo.
Estou só,
Com a nostalgia que me invade
Calando as palavras que não tenho
atravessadas na garganta.
Mas que impedem que eu grite
as saudades que eu tenho
Da nostalgia que me invade

E me deixa só.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Lembranças

Lembras-te das palavras que dizeste?
Dos conselhos que destes?
Eu lembro…
Não falavas, sorrias.
Não gritavas, davas gargalhadas que ecoavam pela casa.
As surpresas que fazias
Os mimos que nos davas
Lembras-te?
Das noites de natal em que nos fazias sofrer com as horas?
Eu lembro…
Vou sempre lembrar
Vejo-te ainda  tal como te vi  naquele dia há muito, muito tempo.
Vejo-te ainda tal como te vi no último dia.
Vejo-te e sei que foste sempre o mesmo,
Desde o primeiro dia da minha vida até ao último dia da tua.
Não fugiste, não lutaste, não gritaste.
Só sorriste, segurando nas tuas mãos as mãos da tua companheira de uma vida.
Lembro-me  dos sorrisos e das gargalhadas…
Eu Lembro-me Pai.

5 de Julho de 2015
Celeste Santos Pinto

sexta-feira, 6 de março de 2015

As cores de Deus

Põe-se o sol lá bem ao fundo
Num vermelho incandescente.
Reflectido nas águas espelhadas do mar,
Torna este verde intenso.
Tão intenso que nos impede de ver as suas profundezas,
Escondendo tesouros e mistérios.

A areia castanha brilha na praia
Sob os raios de sol,
Adquirindo a cor do ouro

O céu ainda mostra um pouco do seu azul celeste
Vai ficando escuro.
Não se vê mais o sol vermelho.
As águas ficam pretas
Como se escondessem os nossos medos e pesadelos.


Amanhã o sol nascerá novamente
E novamente o dia adquire as cores
Que se confundem com os cheiros,
Do mercado por onde passo.

Os verdes, vermelhos, amarelos,
Os brancos e castanhos misturam-se
nas bancas dos vendedores 
que trazem do campo a alegria e a vida que ai existe.
Vejo as gentes passando,
Em passo acelerado
Com os olhos postos no chão
Das ruas sujas da madrugada agitada.

E olho o mar.
Hoje, azul transparente.
Deixa ver os peixes cor da prata.

Pinga
Uma chuva pequenina.

Corro, recolho-me naquele canto.
E quando levanto os olhos para o céu,
Vejo o sol brilhar por entre as gotas da chuva.
Lá longe o Arco-Iris liga a terra ao céu.

Fico perdida.
Olho aquela paleta de cores
Que só Deus sabe fazer.
E ajoelho-me perante a imensidão
Da beleza que se estende na minha frente.

E agradeço as cores de Deus.

Celeste Santos Pinto